eu gosto de blogs e digital gardens pelo mesmo motivo que eu gosto de crônicas: o texto vem sempre de um ponto de vista muito particular de quem escreve. geralmente esses espaços são focados em um tema, mas como vida é dinâmica e as pessoas são multifacetadas, as tangentes tornam-se naturais nas postagens.
o que eu percebi recentemente foi que um outro motivo pelo qual eu gosto tanto de blogs é a estrutura simples que a maioria deles adota. todo blog é centrado no conteúdo e, sendo esse conteúdo majoritariamente textual, você não precisa mais do que uma simples página HTML para fazer a coisa funcionar.
como alguém que vem lutando com os efeitos das redes sociais e o excesso de estímulos, ler blogs... me acalma. em uma época onde a atenção é um ativo valioso e os vídeos de um minuto possuem inúmeras inserções e efeitos, ler um texto em um site sem pop-ups de publicidade é um respiro.
um css até vai bem, mas nada é mais bonito que HTML puro (os desenvolvedores frontend que me desculpem).
porém o que eu mais gosto em blogs é sempre poder revisitar as postagens favoritas.
Aaron Swartz publicou pela última vez no seu blog em 1 de novembro de 2012. um mês depois ele morreu. ainda hoje, acesso o site para reler postagens que já li inúmeras vezes. a memória de Swartz segue viva em tudo o que ele construiu e pelo que ele lutava, mas seu blog é algo que retrata mais do que o prodígio na computação e ativista que ele foi (é demais poder ler o que ele achou do Batman do Nolan mais de 10 anos depois).
nos feeds infinitos, todo conteúdo é descartável, mas os blogs operam na lógica da perenidade. quem chega até uma postagem, chega por vontade própria e, chegando por vontade própria, não tem pressa no ficar.
a beleza mora justamente aí.